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Hemofilia A

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Definição da doença

Doença hematológica genética rara caracterizada por hemorragias espontâneas ou prolongadas devido à deficiência de fator VIII.

ORPHA:98878

Nível de Classificação: Patologia

Sinónimo(s):
  • Deficiência congénita de F8
  • Deficiência congénita de factor VIII

Prevalência: 1-9 / 100 000

Hereditariedade: Ligado ao X recessivo

Idade de início: Infância, Infância, Neonatal

CID-10: D66

CID-11: 3B10.0

OMIM: 306700

UMLS: C0019069

MeSH: D006467

GARD: 6591

MedDRA: 10010468

Sumário
Epidemiologia

A hemofilia A é a forma mais comum de hemofilia. A prevalência é estimada em cerca de 1 em 6.000 homens. Afeta principalmente indivíduos masculinos mas nos casos femininos também poderão ser sintomáticas com um quadro clínico geralmente mais ligeiro.

Descrição clínica

Na generalidade das situações o início das anomalias hemorrágicas ocorre quando os crianças afetadas começam a aprender a andar. No entanto, os recém-nascidos com hemofilia correm risco de hemorragia intra ou extracraniana e outras complicações hemorrágicas. A gravidade das manifestações clínicas depende da extensão da deficiência de fator VIII tanto em indivíduos masculinos como femininos. Se a atividade biológica do fator VIII for inferior a 1 UI/dL, a hemofilia é grave e manifesta-se sob a forma de hemorragias espontâneas frequentes e sangramento anómalo resultante de ferimentos leves ou após trauma, cirurgia ou extração dentária (hemofilia A grave). Se a atividade biológica do fator VIII estiver entre 1 e 5 UI/dL, a hemofilia é moderadamente grave, com sangramento anómalo resultante de ferimentos leves ou após trauma, cirurgia ou extração dentária, mas a hemorragia espontânea é rara (hemofilia A moderadamente grave). Se a atividade biológica do fator VIII estiver entre 5 e 40 UI/dL, a hemofilia é leve, com sangramento anómalo resultante de ferimentos leves ou após trauma, cirurgia ou extração dentária, mas não ocorre hemorragia espontânea (hemofilia A leve). Os doentes também podem ser descritos com hemofilia A leve se tiverem FVIII >40 UI/dL e uma alteração no ADN do gene F8 e um dos seguintes: (i) um membro da família com a mesma alteração de ADN e FVIII <40 UI/dL, sendo que essa alteração de ADN é encontrada em <1% da população; e (ii) os bancos de dados internacionais descrevem a alteração do ADN como associada à hemofilia A e FVIII <40 UI/dL. O sangramento ocorre com mais frequência nas articulações (hemartroses) e nos músculos (hematomas), mas qualquer local pode ser alvo de hemorragia após trauma ou lesão. A hematúria espontânea é um sinal frequente e altamente característico da doença.

Etiologia

A hemofilia A é causada por mutações no gene F8 (Xq28), que codifica o factor de coagulação VIII.

Métodos de diagnóstico

Ocorre uma suspeita diagnóstica com base em tempos de coagulação prolongados (tempo de tromboplastina parcial ativada, aPTT) e pode ser confirmado através da medição da atividade do fator VIII e dos níveis de antígeno.

Diagnóstico diferencial

O diagnóstico diferencial inclui a doença von Willebrand (DVW), incluindo DVW tipo 2N e outras anomalias de coagulação que prolongam os tempos de coagulação, em particular deficiência combinada de fator V e fator VIII.

Diagnóstico pré-natal

O diagnóstico pré-natal realizado em amostra de vilosidades coriónicas ou em amniócitos é rápido e informativo quando a mutação causal familiar é conhecida. Conhecer a mutação familiar no feto permite a preparação do parto e o seguimento médico precoce do recém-nascido.

Aconselhamento genético

A hereditariedade é recessiva ligada ao X e o aconselhamento genético é recomendado para as famílias afetadas. Para uma mulher portadora, há um risco de 50% que os descendentes masculinos sejam afetados e um risco de 50% para que cada descendente feminino seja portadora. No geral, há um risco de 25% para cada gravidez de que o feto seja um filho masculino com hemofilia e um risco de 25% de ser feminino heterozigoto.

Controlo da doença e tratamento

O seguimento clínico é promovido por centros multidisciplinares no atendimento à hemofilia. A terapêutica de substituição que consiste na administração do factor VIII em falta é a abordagem de tratamento mais simples, utilizando concentrados de factor VIII derivados do plasma ou recombinantes. O tratamento pode ser administrado após uma hemorragia ou profilaticamente, para prevenir o sangramento. A complicação mais frequente é a produção de anticorpos inibitórios contra o fator de coagulação administrado. Recentemente, foram aprovados produtos de bioengenharia de fator VIII com semi-vida prolongada e terapêuticas sem fator, como o emicizumabe (um anticorpo biespecífico que imita a função do fator VIIIa). O emicizumabe foi aprovado para profilaxia de sangramento na hemofilia A com e sem inibidores. Outras terapias não-fatoriais e terapia genética estão em fase de desenvolvimento. Intervenções cirúrgicas, principalmente nos casos de cirurgia ortopédica, podem ser realizadas, mas devem ser realizadas em centros especializados.

Prognóstico

Caso não seja realizado o tratamento, a evolução da doença é grave nas situações de hemofilia A grave. O tratamento insuficiente ou incorreto das hemartroses e hematomas recorrentes leva ao aparecimento de perturbação física com incapacidade grave associada a rigidez, deformação articular e incapacidade física. No entanto, as abordagens atuais de tratamento (profilaxia precoce) previnem estas complicações e o prognóstico é favorável. Hemorragia, infeções por HIV e HCV e as doenças hepáticas são as principais causas de morte.

Atualizado em: março 2022 - Editor(es) Prof Yesim DARGAUD | EuroBloodNet*

* Redes europeias de referência

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