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Angioedema hereditário

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Definição da doença

O angioedema hereditário (AEH) é uma doença genética caracterizada pela ocorrência de edemas subcutâneos e/ou submucosos transitórios e recorrentes, resultando em edema e/ou dor abdominal.

ORPHA:91378

Nível de Classificação: Grupo de patologias

Prevalência: 1-9 / 100 000

Hereditariedade: Autossómica dominante

Idade de início: Qualquer idade

CID-11: 4A00.14

OMIM: 619366 619360 619361 619363 619367 106100 610618

UMLS: C0019243

MeSH: D054179

GARD: 5979

MedDRA: 10019860

Sumário
Epidemiologia

A prevalência foi estimada em 1/100.000.

Descrição clínica

A apresentação clínica pode ocorrer em qualquer idade mas é mais comum durante a infância ou adolescência. Os doentes apresentam edemas não pruriginosos, circunscritos e de cor branca, que permanecem por um período de 48 a 72 horas e cuja recorrência é variável. Os edemas podem envolver o trato digestivo, resultando num quadro clínico semelhante ao observado na síndrome de oclusão intestinal, por vezes associado a ascite e choque hipovolémico. O edema da laringe pode ser fatal, com risco de morte de 25% na ausência de tratamento adequado. Os procedimentos odontológicos são um factor desencadeante para o edema de laringe. Os edemas da face são um factor de risco para o envolvimento laríngeo.

Etiologia

Estão descritos três tipos de AEH. Os tipos I e II são causados por anomalias no gene SERPING1 (11q12-q13-1) que codifica o inibidor C1 (C1-INH): o tipo 1 é causado pela deleção ou pela expressão de um transcrito truncado levando a uma deficiência quantitativa na C1-INH; o tipo 2 é causado por mutações pontuais levando a um defeito qualitativo de C1-INH. A transmissão é autossómica dominante e a maioria dos casos são heterozigotos. Os edemas são desencadeados pelo aumento da permeabilidade dos vasos sanguíneos em resposta a níveis elevados de bradicinina, como resultado da deficiência de C1-INH. O tipo 3 envolve predominantemente as mulheres, e são factores desencadeantes o uso de contracetivos orais contendo estrogénio e a gravidez. O tipo 3 não é causado por deficiência de C1-INH, mas está associado a um aumento na atividade da cininogenase levando a níveis elevados de bradicinina. Alguns casos estão associados a mutações com ganho de função do factor de coagulação XII (factor de Hageman; F12; 5q33-qter), mas ainda não foram identificadas outras alterações genéticas.

Métodos de diagnóstico

O diagnóstico de AEH tipos 1 e 2 baseia-se na quantificação das concentrações de C4 e na análise quantitativa e funcional de C1-INH. O diagnóstico de AEH tipo 3 depende do reconhecimento do quadro clínico. Os níveis de C4 e C1-INH são normais. Pode ser proposta a pesquisa de mutações no gene F12 mas estas só estão presentes em 15% dos doentes.

Diagnóstico diferencial

O diagnóstico diferencial deve incluir o angioedema adquirido (ver este termo), a síndrome de oclusão intestinal e o angioedema induzido por histamina (de origem alérgica ou não-alergénica) geralmente associado a urticária. É recomendado o rastreio de familiares, incluindo indivíduos assintomáticos.

Controlo da doença e tratamento

Os tratamentos com corticosteróides não são eficazes. Na Europa, os ataques agudos (envolvendo edema da laringe) devem ser tratados com icatibant subcutâneo (um antagonista do receptor da bradicinina) ou a administração intravenosa de concentrado de C1-INH. Para doentes com episódios frequentes pode ser proposto tratamento profilático com ácido tranexâmico ou danazol.

Prognóstico

O prognóstico vital é bom para os doentes que foram diagnosticados e que têm acesso a tratamento adequado nas situações de edema da laringe com envolvimento da face. No entanto, pode ocorrer morbilidade significativa quando associada com o envolvimento digestivo, resultando em dor e contribuindo para que os doentes fiquem acamados por pelo menos três dias após um episódio.

Atualizado em: agosto 2011 - Editor(es) Prof Laurence BOUILLET
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