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Doença de von Willebrand
A doença de von Willebrand é uma patologia hemorrágica hereditária causada por uma anomalia genética levando a anomalias quantitativas, estruturais ou funcionais do fator de Willebrand (fator de von Willebrand; VWF). Foram definidos 2 principais grupos da deficiência VWF: quantitativa e parcial (tipo 1) ou total (tipo 3), e qualitativa (tipo 2) com vários subtipos (2A, 2B, 2M, 2N; ver estes termos).
ORPHA:903
Nível de Classificação: Patologia
Prevalência: 1-5 / 10 000
Hereditariedade: Autossómica dominante, Autossómica recessiva
Idade de início: Qualquer idade
A prevalência da VWD na população geral está estimada entre 0.1% e 1% (incluindo todas as formas) dependendo do estudo, mas a prevalência da VWD sintomática que necessita de tratamento específico está estimada entre 1/50,000 e 1/8,500. A idade de início é variável, estando uma apresentação precoce associada a deficiência do VWF mais grave.
A doença manifesta-se como hemorragia anormal de gravidade variável ocorrendo espontaneamente ou em associação com um procedimento invasivo. As anomalias hemorrágicas são geralmente caracterizadas por hemorragias mucocutâneas (epistaxis, menorragia, etc.) mas nas formas mais graves podem ocorrer hematomas e hemartrose.
A VWD é causada por mutações no gene VWF (12p13.3) que codifica a proteína multimérica do VWF. A proteína do VWF tem uma localização intraplaquetária, endotelial e plasmática e desempenha um papel essencial quer na interação de plaquetas dentro do vaso danificado quer no transporte e estabilização do fator VIII (FVIII). A VWD é mais frequentemente transmitida de uma forma autossómica dominante, contudo, para a VWD tipo 3, o modo de hereditariedade é autossómico recessivo, bem como para alguns subtipos do tipo 2.
O diagnóstico baseia-se em testes laboratoriais envolvendo ensaios funcionais e imunológicos dos níveis dos VWF e FVIII. A determinação do tipo de VWD requer testes muito específicos como estudos da distribuição dos multímeros de VWF. As determinações dos níveis do VWF permitem geralmente que a VWD seja distinguida de hemofilia A (ver este termo). Contudo, este teste não permite a diferenciação da VWD tipo 2N, que necessita de testes mais específicos. A diferenciação entre síndrome de von Willebrand adquirida (AVWS; ver este termo), que ocorre em associação com outra patologia subjacente, e a VWD hereditária é mais problemática. O facto de os indivíduos da população geral pertencentes ao grupo sanguíneo O poderem ter também níveis do VWF moderadamente baixos deve também ser tido em consideração no diagnóstico diferencial. Deve ser proposto o aconselhamento genético para informar os doentes sobre a gravidade da doença e dos riscos associados, e permitir o rastreio para a deteção de outros familiares afectados.
Para os casais em risco de terem uma criança com o tipo 3 da doença, o aconselhamento genético deve ser melhor discutido num centro multidisciplinar especializado.
O tratamento depende do tipo de VWD. A desmopressina é geralmente um tratamento preventivo ou curativo eficaz para hemorragia anormal na VWD do tipo 1. Nos doentes com o tipo 2 da doença, a resposta à desmopressina é variável e é frequentemente necessária a terapia de substituição com VWF humano purificado. A desmopressina não constituiu um tratamento eficaz para doentes com o tipo 3 da doença, e assim estes indivíduos necessitam de terapia de substituição com VWF humano purificado em associação, pelo menos na primeira injecção, com FVIII.
Para os doentes orientados em centros hospitalares especializados em hemostasia e trombose, o prognóstico é favorável, mesmo para aqueles com as formas mais graves da doença.
Atualizado em: fevereiro 2009 - Editor(es) Prof Agnès VEYRADIER
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