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Epidermólise bolhosa distrófica generalizada autossómica recessiva, forma intermédia

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Definição da doença

Epidermólise bolhosa distrófica rara (EBD) caracterizada por vesículas cutâneas e mucosas generalizadas que não está associada a deformidades graves.

ORPHA:89842

Nível de Classificação: Patologia

Prevalência: Desconhecido

Hereditariedade: Autossómica recessiva

Idade de início: Neonatal

CID-10: Q81.2

CID-11: EC32

UMLS: C4511044

GARD: 12794

Sumário
Epidemiologia

A sua prevalência exata é desconhecida, mas este subtipo representa a segunda EBD recessiva mais comum (REBD), sendo que o primeiro é a REBD grave. A prevalência de todos os subtipos de REBD, com exclusão de REBD grave, foi estimada em 1/2.000.000 nos Estados Unidos.

Descrição clínica

Sob a designação REBD intermediário é agrupado um espetro de fenótipos que apresentam gravidade muito variável relativa ao envolvimento cutâneo e mucoso. A doença manifesta-se ao nascimento ou durante o período neonatal com vesículas generalizadas. Aplasia cutis congénita (ausência congénita da pele) também pode ser observada ao nascimento. A cicatrização das vesículas resulta no desenvolvimento de milia, cicatrizes atróficas (menos graves do que no REBD grave), unhas distróficas e, ocasionalmente, lesões albopapulóides (pápulas de cor branco marfim, semelhantes a cicatrizes) e anormalias do couro cabeludo. Em alguns doentes os fenómenos cicatriciais podem levar a um certo grau de pseudossindactilia e perda das lâminas ungueais. O envolvimento extracutâneo é semelhante, mas menos grave que no REBD grave sem deformidades da mão/pé associadas a esta doença. Lesões na cavidade oral e cáries dentárias excessivas são comuns. Os doentes têm um risco menor de estenose esofágica e lesão da córnea do que em REBD grave. O atraso no crescimento e anemia são raros. O envolvimento do trato geniturinário é raro. Existe risco aumentado em desenvolver carcinoma de células escamosas (CCE), mas menos comum do que no REBD grave e ocorre mais tardiamente na idade adulta.

Etiologia

A doença é causada por mutações no gene do colagénio tipo VII (COL7A1;3p21.31) que levam a uma alteração da função ou redução da quantidade de colagénio VII. Isso prejudica a configuração do colagénio VII em fibrilhas de ancoragem entre a membrana basal à derme subjacente resultando numa redução da resistência da pele a pequenos traumas.

Métodos de diagnóstico

Ocorre suspeita do diagnóstico aquando do exame clínico e a sua confirmação efetua-se através do mapeamento de antigénios por imunofluorescência e/ou microscopia eletrónica de transmissão em amostras de pele. O teste genético confirma o diagnóstico.

Diagnóstico diferencial

O diagnóstico diferencial inclui outras formas de EB. No período neonatal, aplasia cutânea congénita, infeção por herpes simples, dermatose erosiva e vesicular congénita, ictiose epidermolítica, dermatose bolhosa IgA linear, penfigoide bolhoso, pênfigo neonatal e penfigoide gestacional, impetigo bolhoso e síndrome da pele escaldada estafilocócica devem ser considerados.

Diagnóstico pré-natal

O diagnóstico pré-natal pode ser recomendado nas famílias com este subtipo de REBD, dependendo da gravidade individual.

Aconselhamento genético

O padrão de hereditariedade é autossómico recessivo. O aconselhamento genético deve ser oferecido aos casais em risco (ambos os indivíduos são portadores de uma mutação causadora da doença) informando-os sobre o risco de 25% de existir um filho afetado a cada gravidez.

Controlo da doença e tratamento

O seguimento clínico é preventivo: o envolvimento protetor da pele reduz a formação de vesículas e o cuidado criterioso da ferida evita infeções secundárias e reduz as cicatrizes. A higiene bucal é importante para o seguimento das cáries. As necessidades nutricionais devem ser avaliadas por um nutricionista. As estenoses esofágicas são tratadas com dilatação por balão com orientação fluoroscópica. Um acompanhamento regular é necessário para a vigilância do CCE, cujo tratamento é cirúrgico e envolve excisão total com margens amplas.

Prognóstico

Na maioria dos casos, a esperança média de vida é normal. No entanto, há um risco aumentado de desenvolvimento de carcinomas de células escamosas metastatizantes com um risco cumulativo de mortalidade de 21,5% aos 55 anos.

Atualizado em: maio 2021 - Editor(es) Prof Carmen SALAVASTRU | ERN-Skin*

* Redes europeias de referência

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