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Amiloidose AL
Doença clonal de células B caracterizada pela agregação e deposição de fibrilhas amilóides insolúveis que derivam da organização incorreta das cadeias leves de imunoglobulina monoclonal. Apresenta-se geralmente como amiloidose AL sistémica com envolvimento de um ou mais órgãos do parênquima e, menos frequentemente, como amiloidose localizada com depósitos geralmente nodulares restritos a um único órgão e/ou sistema.
ORPHA:85443
Representa a forma mais comum de amiloidose sistémica nos países ocidentais; na Europa e nos EUA a incidência varia de 1/80.000-330.000 e a prevalência entre 1/17.000-50.000. A amiloidose AL afeta os homens em maior proporção do que as mulheres.
A idade média dos doentes ao diagnóstico é de 63 anos. As manifestações clínicas dependem do envolvimento dos órgãos e podem ocorrer sintomas gerais, como fadiga e perda de peso. O coração (aproximadamente 80%) e os rins (65%) são os órgãos mais afetados, sendo que pode surgir afetação de tecidos moles, fígado, sistema nervoso periférico e autónomo e trato gastrointestinal. Esta situação pode resultar em retenção de líquidos, dispneia, arritmias, aumento do volume do fígado, macroglossia, edema e aumento das glândulas submandibulares, síndrome do túnel cárpico, neuropatia periférica, hipotensão, diarréia ou obstipação. A amiloidose AL localizada pode afetar a pele, o trato respiratório, gastrointestinal, urinário e os olhos.
A amiloidose AL resulta de alterações conformacionais das cadeias leves de imunoglobulinas monoclonais produzidas habitualmente por um clone de células B-pequenas (mais comumente células plasmáticas). As cadeias leves dobram-se de forma incorreta, agregam-se e depositam-se no tecido sob a forma de fibrilhas. A disfunção e as alterações orgânicas dependem de um efeito tóxico direto das cadeias leves monoclonais, particularmente no coração, e do efeito mecânico provocado pelos depósitos.
O diagnóstico de amiloidose AL sistémica ocorre através da evidência de depósitos de amilóide (birrefringência vermelho-verde com coloração de vermelho Congo sob luz polarizada cruzada) no órgão afetado, através de biópsia ou métodos menos invasivos (por exemplo, aspiração de gordura subcutânea) e pela demonstração de que as fibrilhas amilóides são formada por cadeias leves de imunoglobulina (tipagem amilóide). A tipagem amilóide pode ser obtida por coloração imunohistoquímica, imunofluorescência em biópsias renais nos doentes com envolvimento renal e espectrometria de massa. Um clone de células B que produz uma cadeia leve do mesmo isótipo que a documentada nos depósitos deverá ser investigado e demonstrado. A presença e a gravidade do envolvimento orgânico deverá ser avaliada (por ecocardiografia, ressonância magnética cardíaca, medição de proteinúria e parâmetros de função renal e hepática) e quantificada.O estadiamento da doença cardíaca e renal baseia-se no peptídeo natriurético tipo B ou seu pró-hormônio N-terminal, troponina, proteinúria de cadeia leve livre e na taxa de filtração glomerular que predizem com precisão o risco de morte e a progressão para diálise. A amiloidose AL localizada é diagnosticada por biópsia dos depósitos.
A amiloidose AL sistémica deve ser distinguida de outras formas de amiloidose sistémica e da doença de deposição de cadeia leve não amilóide.
O tratamento da amiloidose AL sistémica assenta em terapias direcionadas ao clone de plasma subjacente com o objetivo de reduzir o fornecimento da cadeia leve de amilóide. O tratamento com sucesso pode melhorar o grau de afetação dos órgãos e prolongar a sobrevida. A única terapia autorizada é a combinação de daratumumabe, ciclofosfamida, bortezomibe e dexametasona (Dara-CyBorD). Outros regimes eficazes são bortezomibe, melfalano, dexametasona (BMDex) e CyBorD. O transplante autólogo de células pluripotentes é eficaz e induz aumento da sobrevida a longo prazo nos doentes que respondem adequadamente, no entanto apenas uma minoria dos doentes (aproximadamente 20%) que devido ao seu estado geral se poderão submeter em segurança a esse procedimento. Os doentes recidivantes e refratários habitualmente são resgatados com fármacos imunomoduladores, como lenalidomida e pomalidomida. Os doentes nos quais a doença não é causada por um clone de células plasmáticas são tratados com regimes terapêuticos correspondentes em uso na malignidade de células B. A amiloidose AL localizada é tratada pela remoção cirúrgica dos depósitos amilóides quando tal se apresenta como necessário e possível.
O prognóstico da amiloidose AL sistémica depende da presença e gravidade do envolvimento cardíaco e da resposta à terapia. Os doentes diagnosticados cujo envolvimento cardíaco está numa fase avançada apresentam elevado risco de morte precoce (dentro de alguns meses), enquanto os doentes que atingem uma resposta rápida e profunda à terapia podem apresentar uma sobrevida prolongada. A amiloidose AL localizada tem um prognóstico mais favorável e apenas excecionalmente é fatal.
Atualizado em: setembro 2021 - Editor(es) Prof Giovanni PALLADINI | EuroBloodNet*
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