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Epidermólise bolhosa juncional com atrésia do piloro
Forma grave de epidermólise bolhosa juncional (EBJ) caracterizada por vesículas generalizadas ao nascimento e atrésia congénita do piloro e raramente de outras regiões do trato gastrointestinal.
ORPHA:79403
A prevalência da síndrome da epidermólise bolhosa juncional com atrésia do piloro (JEB-PA) é desconhecida. No mundo, foram relatados mais de 100 casos.
As manifestações cutâneas incluem vesículas graves, cicatrizes atróficas e distrofia ungueal. A ausência congénita de pele (aplasia cutis congénita) é comum, e as anomalias das orelhas também são relativamente comuns. As manifestações da atresia pilórica incluem vómitos intratáveis, distensão abdominal e ausência de emissão de fezes. Os doentes apresentam compromisso da cavidade oral e, caso sobrevivam, hipoplasia do esmalte. Outras manifestações extracutâneas incluem envolvimento do trato respiratório, gastrointestinal e geniturinário. Em particular, as malformações geniturinárias e anomalias geniturinárias adquiridas (lesões polipoides da parede da bexiga, cistite hemorrágica, estenoses uretrais) são relativamente frequentes e características. Atraso no crescimento e anemia, secundárias às extensas lesões cutâneas e das mucosas, são comuns. Polihidrâmnio, secundário à atresia pilórica, geralmente está presente nas gestações com um feto afetado. Em alguns doentes com uma apresentação clínica idêntica existe a formação de vesículas intraepidérmicas em vez de ocorrerem intra-lâmina lúcida, promovendo a sua inclusão nos subtipos mais raros de EB simples (EBS; epidermolítico) grave com atresia pilórica em vez de EB juncional. Esses oentes podem ter mutações no domínio intracelular da integrina beta4, ou uma deficiência de plectina.
A doença é causada por mutações bialélicas em qualquer um dos genes que codificam as duas subunidades da integrina alfa6-beta4, ITGA6/ (2q31.1) e ITGB4/ (17q11-qter).
Ocorre suspeita do diagnóstico em recém-nascidos com base nos achados clínicos de fragilidade da pele e de obstrução ao esvaziamento gástrico demonstrados por radiografias sem contraste. Adicional à presença de um plano de clivagem localizado dentro da lâmina lúcida da zona da membrana basal cutânea através de mapeamento de antigénio de imunofluorescência e/ou microscopia eletrónica de transmissão, uma coloração de imunofluorescência negativa ou altamente reduzida para integrina alfa6beta4 é típica de JEB-PA. O teste genético deve ser o gold standard, a fim de diferenciar da EBS com atresia pilórica, principalmente se o mapeamento de imunofluorescência e/ou microscopia eletrónica de transmissão não estiver disponível/viável.
O principal diagnóstico diferencial é de EBS com atresia pilórica.
Pode suspeitar-se do diagnóstico através dos achados ecográficos de polihidrâmnio, secundário à atresia pilórica, com níveis elevados de alfa-fetoproteína (> 20 vezes os valores normais). O diagnóstico pré-natal por teste genético deve ser disponibilizado à família.
A transmissão é autossómica recessiva. O aconselhamento genético deve ser oferecido aos casais em risco (ambos os indivíduos são portadores de uma mutação causadora da doença) informando-os sobre o risco de 25% de terem um filho afetado a cada gravidez.
A atresia pilórica deve ser corrigida cirurgicamente nos primeiros dias de vida; e na sua ausência, a doença é letal no período neonatal. O seguimento clínico multidisciplinar com internamento em cuidados intensivos neonatais é necessário. Os doentes devem ser monitorizados e tratados em relação ao equilíbrio hidroeletrolítico, défice de crescimento, anemia, complicações infeciosas e respiratórias, etc. O seguimento clínico da dor também é extremamente importante e na maioria das situações requer a utilização de opióides. O seguimento clínico da pele baseia-se na prevenção das vesículas através da proteção almofadada meticulosa, prevenção de traumas na vida diária, punção e drenagem de novas vesículas e prevenção da infeção secundária através do manuseio cuidadoso das feridas.
O JEB-PA origina, na maioria dos casos, uma morte precoce nos primeiros meses de vida. O prognóstico depende principalmente da correção cirúrgica imediata da atresia pilórica. Entre os doentes em que a cirurgia é bem-sucedida, uma minoria apresenta envolvimento cutâneo ligeiro ou melhoria gradual das lesões vesiculares, permitindo que o doente alcance uma esperança de vida normal.
Atualizado em: junho 2021 - Editor(es) Dr Michela BRENA | ERN-Skin* - Dr Sophie GUEZ | ERN-Skin* - Dr Gianluca TADINI | ERN-Skin*
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