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Deficiência de holocarboxilase sintetase
A deficiência de holocarboxilase sintetase (HCS) é uma forma potencialmente fatal de início precoce da deficiência de múltiplas carboxilases (ver este termo), uma doença congénita do metabolismo da biotina, que, se não tratada, é caracterizada por vómitos, taquipneia, irritabilidade, letargia, dermatite esfoliativa e convulsões que podem agravar para coma.
ORPHA:79242
A prevalência exata da HCS é desconhecida, mas a patologia é uma doença metabólica rara. A incidência anual está estimada em menos de 1/200,000 nados-vivos.
A apresentação clínica ocorre geralmente dentro de horas, dias ou semanas após o nascimento. Os indivíduos com a doença apresentam geralmente falta de apetite, vómitos, letargia, irritabilidade, hipotonia e dermatite esfoliativa. Metabolicamente, eles têm acidose ceto-lática, acidémia (-úria) orgânica e hiperamonemia. Sem tratamento, as crianças afetadas podem evoluir para epilepsia refratária, edema cerebral e coma. Estas crianças desenvolvem muitas vezes atraso do crescimento e do desenvolvimento.
A deficiência da holocarboxilase sintetase é causada por mutações no gene HLCS i> (21q22.1), resultando em atividade reduzida da HCS. Esta enzima é importante na ligação covalente da biotina às várias carboxilases dependentes de biotina que requerem a vitamina para a atividade. A incapacidade de ligação à biotina resulta em deficiência de múltiplas carboxilases e na acumulação de vários ácidos orgânicos anormais específicos. Alguns indivíduos afetados são identificados através do rastreio neonatal pela demonstração de ácidos orgânicos anormais, consistente com deficiência de carboxilases múltiplas.
O diagnóstico é baseado nos sinais clínicos e anomalias típicas dos ácidos orgânicos. Podem ser realizados testes de confirmação, demonstrando atividade deficiente de HCS em leucócitos ou fibroblastos ou por análise de mutações.
As doenças a serem consideradas no diagnóstico diferencial com base nos ácidos orgânicos incluem deficiência de biotinidase (ver este termo) e deficiência de carboxilase isolada ; baseadas na hiperamonemia, incluem defeitos do ciclo da ureia (ver este termo), e com base no compromisso neurológico e convulsões no período neonatal incluem sepsis e outras doenças metabólicas congénitas.
O diagnóstico pré-natal pode ser realizado por análise de ácidos orgânicos por meio de técnicas de diluição de isótopos estáveis no líquido amniótico, determinação da atividade enzimática da HCS em amniócitos, ou pesquisa de mutações no ADN de biópsia de vilosidades coriónicas ou amniocentese.
A deficiência da HCS é transmitida de forma autossómica recessiva. O aconselhamento genético está disponível para as famílias que têm crianças com a doença. Os irmãos das crianças afetadas provavelmente não terão a doença, pois já teriam desenvolvido sintomas, mas podem ser portadores.
O principal tratamento para a deficiência de HCS é a suplementação de biotina livre, que pode melhorar o estado clínico dos indivíduos sintomáticos com a deficiência enzimática e evitar o desenvolvimento de alguns ou todos os sintomas em indivíduos assintomáticos com a doença. O tratamento deve ser iniciado o mais cedo possível após o diagnóstico e deve ser continuado ao longo da vida. Os indivíduos afetados devem vigiar a ocorrência de complicações tardias, e a adesão à terapêutica. O tratamento atempado e continuado faz com que seja possível reduzir consideravelmente os sintomas, embora alguns doentes desenvolvam complicações, apesar do tratamento adequado, muitas vezes exigindo doses mais elevadas de biotina.
Na ausência de diagnóstico precoce e tratamento, a mortalidade é alta. A morbilidade nos indivíduos afetados sobreviventes depende do momento do diagnóstico e do grau de danos relacionados com as crises metabólicas.
Atualizado em: julho 2011 - Editor(es) Dr Barry WOLF
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