Conhecimento sobre doenças raras e medicamentos órfãos
COVID-19 e doenças raras
Recursos em Doenças Raras para Pessoas Refugiadas/Deslocadas
Deficiência de piruvato desidrogenase
A deficiência de piruvato desidrogenase (PDHD) é uma doença rara neurometabólica caracterizada por vários sinais clínicos com componentes metabólicos e neurológicos de gravidade variável. As manifestações variam de fatal, grave e neonatal até distúrbios neurológicos de início tardio. Foram reconhecidos, com sobreposição clínica significativa, 6 subtipos relacionados com a subunidade afetada do complexo PDH: PDHD devido à deficiência de alfa-E1, beta-E1, E2 e E3, PDHD devido à deficiência da proteína de ligação da E3 e deficiência da PDH fosfatase (ver estes termos).
ORPHA:765
Nível de Classificação: Patologia
Prevalência: Desconhecido
Hereditariedade: Autossómica recessiva, Não aplicável, Ligado ao X dominante
Idade de início: Infância, Infância, Neonatal
A prevalência exata é desconhecida mas centenas de casos foram descritos.
A PDHD pode afetar o desenvolvimento do feto (pouco ganho de peso fetal e baixo peso ao nascer). Dismorfismo facial característico foi descrito em alguns doentes (cabeça estreita, bossas frontais, ponte nasal larga, filtro longo e narinas dilatadas). Lesões cerebrais estruturais são observadas, especialmente no sexo feminino. Outros doentes desenvolvem sintomas logo após o nascimento. Alguns têm um quadro primariamente do tipo metabólico (acidose lática potencialmente fatal, ocasionalmente com hiperamonémia, dificuldades de alimentação, letargia, taquipneia) e alguns sinais neurológicos, enquanto outros têm maioritariamente sinais neurológicos (atraso no desenvolvimento, atraso de crescimento, atraso ou perda de aquisições motoras, hipotonia, convulsões, ataxia e distonia). Os sintomas podem ocorrer em períodos de stress ou doença nos casos menos graves de início tardio. Muitos doentes têm a apresentação clínica, curso e alterações neuropatológicas características da síndrome de Leigh (ver este termo).
A PDHD é causada por deficiência de um dos componentes do complexo PDH. A causa mais comum é a mutação do gene PDHA1 i> (Xp22.1), que codifica a subunidade alfa-E1. Foram descritas mutações nos genes para as outras subunidades, mas menos frequentemente: genes das subunidades beta-E1 e E2 - PDHB, DLAT i>; gene da proteína de ligação da E3 - PDHX i>; E3 - DLD i> e PDH fosfatase - PDP1 i>.
Deve considerar-se PDHD em casos de doenças neurológicas de início precoce e acidose láctica inexplicada, especialmente se houver anomalias cerebrais estruturais. Em muitos casos, a concentração de lactato no LCR está desproporcionalmente aumentada em relação ao lactato sanguíneo. O diagnóstico definitivo é feito por demonstração da função anormal da enzima e demonstração imunoquímica de deficiência da subunidade específica.
O diagnóstico diferencial inclui outras causas de acidose láctica primária (deficiência de piruvato carboxilase, defeitos da gluconeogénese e uma ampla gama de doenças mitocondriais). Em doentes com síndrome de Leigh, o diagnóstico diferencial inclui várias formas de deficiência do Complexo I, deficiência de citocromo-oxidase devido a mutação no gene SURF1 i> (ver estes termos) e muitas mutações do ADN mitocondrial.
Devido à gravidade da PDHD, o diagnóstico pré-natal é pedido em famílias afetadas (testes em vilosidades coriónicas ou líquido amniótico). Como os doentes quase sempre têm sintomas graves e esperança de vida reduzida, a maioria dos novos casos são esporádicos.
Dada a complexidade genética, deve ser oferecido aconselhamento genético às famílias afetadas.
O tratamento é destinado a estimular o complexo PDH ou fornecer uma fonte alternativa de energia ao cérebro. Suplementação com cofatores de tiamina, carnitina e ácido lipóico é recomendada. Um pequeno número de doentes com mutações no gene PDHA1 i> são tiamina-responsivos. Uma dieta cetogénica pode ser indicada especialmente para doentes com distonia. O dicloroacetato tem sido utilizado, mas os efeitos colaterais significativos, como neuropatia periférica, podem limitar a eficácia. Nenhum tratamento tem efeito nas anomalias pré-natais do desenvolvimento de estruturas do SNC.
O prognóstico é variável mas geralmente mau em termos de impacto no desenvolvimento e esperança de vida.
Atualizado em: abril 2012 - Editor(es) Dr Garry BROWN
: Produzido/endossado pela(s) Rede(s) Europeia(s) de Referência
: Produzido/endossado pela(s) FSMR
Público em geral
Guias
Artigos de revisão sobre a doença
Informação adicional sobre esta doença
Recursos de saúde centrados no utente para esta doença
Atividades de investigação nesta doença
- Projetos de investigação (51)
- Ensaios clínicos (2)
- Biobancos (11)
- Registos (26)
- Redes de referência (8)
Rastreio neonatal