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Fibrose quística
A fibrose cística (FC) é uma doença genética caracterizada pela produção de suor com alta concentração de sal e de secreções mucosas com uma viscosidade anormal.
ORPHA:586
É a doença genética mais comum nas crianças caucasianas. A incidência varia entre populações: a desordem é considerada menos comum nas populações asiáticas e africanas que nas populações da Europa e América do Norte, com variação dentro de cada país. A prevalência exata na Europa é desconhecida, mas estima-se que varie entre 1/8.000 e 1/10.000 indivíduos.
Esta doença é crónica e geralmente progressiva, com apresentação normalmente ocorrendo durante o início da infância ou, ocasionalmente, ao nascimento (íleo meconial). Virtualmente qualquer órgão interno pode estar envolvido mas as principais manifestações dizem respeito ao aparelho respiratório (bronquite crónica), pâncreas (insuficiência pancreática, diabetes na adolescência e ocasionalmente pancreatite) e, mais raramente, ao intestino (obstrução estercoral) ou fígado (cirrose). A forma mais comum da fibrose cística está associada a sintomas respiratórios, problemas digestivos (esteatorreia e/ou obstipação) e anomalias do crescimento pôndero-estatural. A mortalidade e morbidade dependem da extensão do envolvimento broncopulmonar. A esterilidade masculina é uma característica constante. Foram também descritas formas de apresentação tardia, que são normalmente apenas leves ou monossintomáticas.
A FC é caracterizada por alterações na proteína CFTR, que desempenha papel na regulação do fluxo hidroeletrolítico transmembrana. Alterações na proteína levam a mudanças das características das excreções exócrinas. A ausência de CFTR funcional na membrana celular epitelial leva à produção de suor com alto teor de sal (associado ao risco de desidratação hiponatrêmica) e secreções mucosas com uma viscosidade anormal (levando a estase, obstrução e infecção brônquica). A fibrose cística é uma doença autossómica recessiva monogénica causada por mutações no gene CFTR (cromossoma 7). Estão descritas mais de 1250 mutações. Quase 70% dos todos os casos são causados pelo alelo F508, com outras 30 mutações contabilizando 20% dos casos. Não existe correlação direta entre o genótipo e o fenótipo. Adicionalmente à heterogeneidade alélica e à ocorrência de múltiplas mutações no gene, existem vários outros fatores que podem influenciar o fenótipo, incluindo o ambiente e genes modificadores da doença.
O diagnóstico é suspeitado com base nos resultados nos testes do suor (concentração do cloreto acima de 60 mmol/L) e é confirmado pela identificação de uma mutação no gene CFTR.
O rastreio neonatal tem estado amplamente disponível desde o fim de 2002 e leva ao diagnóstico em 95% dos casos. O diagnóstico pré-natal é possível através da pesquisa de mutações em amostras de vilosidades coriónicas colhidas após oito semanas gestacionais.
Deve ser oferecido aconselhamento genético aos casais portadores de mutações em heterozigotia (identificadas através do nascimento do primeiro filho com fibrose cística, uma história familiar da doença ou após a detecção de uma mutação em heterozigotia no lactente rastreado ao nascer).
O tratamento da fibrose cística permanece puramente sintomático, envolvendo a drenagem brônquica, antibióticos para infecções respiratórias, análise pancreática e administração de vitaminas e suplementos calóricos para problemas digestivos e nutricionais.
Estes tratamentos custo-beneficio têm melhorado significativamente o prognóstico para os doentes com fibrose cística: em 1960 a maioria dos doentes morria aos 5 anos de idade, enquanto que atualmente o tempo vida ultrapassa os 35 anos de idade, e a expectativa de vida é de 40 anos. O tratamento sintomático da doença deve melhorar com o desenvolvimento de tratamentos etiológicos com benefícios complementares (abordagens farmacológicas ou terapia génica), diagnóstico neonatal e manejo multidisciplinar.
Atualizado em: abril 2006 - Editor(es) Prof Gabriel BELLON
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