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Ictiose ligada ao X recessiva
Doença genética cutânea rara que pertence aos Distúrbios Mendelianos da Cornificação (MeDOC) e caracterizada por hiperqueratose generalizada e descamação da pele. A doença é muito discreta.
ORPHA:461
RXLI afeta quase exclusivamente indivíduos masculinos, constituindo o segundo tipo mais comum de ictiose, com prevalência estimada de 1/2.000 a 1/6.000.
O início dos sintomas pode ocorrer nos primeiros dias de vida com o desenvolvimento de escamas generalizadas não eritematosas, poligonais e pouco aderentes. Essas escamas evoluem posteriormente para escamas aderentes acinzentadas ou enegrecidas mais pronunciadas no tronco, nos locais extensores e flexores das extremidades e no pescoço (dando a aparência de ''pescoço sujo''). As dobras da pele, palmas das mãos e solas dos pés, normalmente são poupadas. A descamação melhora com a idade e durante o verão. Pode registar-se um atraso no trabalho de parto (dilatação cervical insuficiente). São possíveis manifestações extracutâneas como migração testicular incompleta, perturbação de hiperatividadede e défice de atenção (PHDA) e/ou opacidades da córnea. Grandes deleções envolvendo genes adjacentes podem resultar em fenótipos mais complexos (síndromes de deleção genética contígua, como a síndrome Kallman, a forma recessiva da condrodisplasia punctata ligada ao X, baixa estatura, perturbação do desenvolvimento intelectual ou anomalias do sistema nervoso central).
A ictiose ligada ao X é uma anomalia do metabolismo lipídico epidérmico devido à inativação através de mutações ou deleções no gene da esteróide sulfatase STS (Xp22.3). STS codifica uma hidrolase lipídica do estrato córneo que participa na regulação da homeostase da barreira de permeabilidade e da descamação, catalisando a hidrólise de sulfatos esteróides (por exemplo, sulfato de colesterol CSO4, hormonas esteróides sulfatadas). A deficiência de STS leva ao aumento da quantidade de CSO4 que inibe as serina proteases epidérmicas, o que por sua vez resulta na diminuição da descamação dos corneócitos com hiperqueratose de retenção. Existem alguns casos sindrómicos de RXLI muito mais raros que ocorrem devido à deleção de genes contíguos que englobam genes vizinhos do gene STS.
O diagnóstico é baseado nos achados clínicos e na história familiar (descamação em familiares masculinos, história de prolongamento anómalo do trabalho de parto). É confirmado por análises bioquímicas (eletroforese de proteínas séricas, teste de atividade STS de fibroblastos ou leucócitos) e moleculares/citogenéticas (Polymerase Chain Reaction (PCR), Multiplex Ligation-dependent Probe Amplification (MLPA), Microarray-based Comparative Genomic Hybridization (CMA), Fluorescence in situ hybridization (FISH)). A histologia ou ultraestrutura da pele é útil para a diferenciação da ictiose vulgar.
O diagnóstico diferencial inclui ictiose vulgar, ictiose congénita autossómica recessiva (ARCI), nomeadamente ictiose lamelar, RLXI sindrómica ou deficiência múltipla de sulfatase.
A urinálise materna e dos esteróides séricos podem evidenciar diminuição dos níveis de estrogénio. Portanto, o RXLI pode ser detetado no útero, quando os níveis de estriol materno são doseados para o rastreio pré-natal na síndrome Down e noutros distúrbios.
XLRI é transmitido de forma recessiva ligada ao X: afeta indivíduos masculinos e é herdado por portadoras. Manifestações da doença em indivíduos femininos raramente foram relatados.
O tratamento consiste em hidratar e suavizar a pele com a utilização de óleos de banho lubrificantes e emolientes contendo humectantes e queratolíticos (por exemplo, ureia, ácido láctico e ácido glicólico). Para doentes adultos, os retinóides sistémicos são uma opção, por exemplo durante o inverno, quando a ictiose costuma ser mais grave.
RXLI representa uma forma benigna de ictiose. A ictiose dura a vida toda, mas a hiperqueratose e a descamação podem melhorar com a idade. A esperança de vida é normal.
Atualizado em: dezembro 2022 - Editor(es) Dr Ángela HERNÁNDEZ MARTÍN
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