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Hemofilia
Doença hematológica rara caracterizada por hemorragia espontânea ou sangramento prolongado devido à deficiência de fator VIII ou IX.
ORPHA:448
Nível de Classificação: Grupo de patologias
Prevalência: 1-9 / 100 000
Hereditariedade: Ligado ao X recessivo
Idade de início: Pré-natal, Infância, Neonatal
A prevalência na população em geral é estimada em 1/12.000. A prevalência ao nascimento é estimada em 1/5.000 nos indivíduos masculinos.
A hemofilia afeta principalmente indivíduos masculinos, mas nas situações de indivíduos femininos com mutações causadoras de doenças também, neste estado de portadoras, podem manifestar formas geralmente mais leves da doença. Em geral, o início das anomalias hemorrágicas ocorre quando as crianças afetadas começam a aprender a andar. No entanto, os recém-nascidos com hemofilia correm risco de hemorragia intra ou extracraniana e outras complicações hemorrágicas. A gravidade das manifestações clínicas depende da extensão da deficiência do fator de coagulação. Se a atividade biológica do fator de coagulação estiver abaixo de 1 UI/dL, a hemofilia é grave e manifesta-se como hemorragia espontânea frequente e sangramento anómalo resultante de ferimentos leves ou após trauma, cirurgia ou extração dentária (hemofilia A e B grave). Se a atividade biológica do fator de coagulação estiver entre 1 e 5 UI/dL, a hemofilia é moderadamente grave, com sangramento anómalo resultante de lesões leves ou após trauma, cirurgia ou extração dentária, mas a hemorragia espontânea é rara (hemofilia moderadamente grave A e B ). Se a atividade biológica do fator de coagulação estiver entre 5 e 40 UI/dL, a hemofilia é leve, com sangramento anómalo resultante de ferimentos leves ou após trauma, cirurgia ou extração dentária, mas não ocorre hemorragia espontânea (hemofilia leve A e B) . Em doentes com hemofilia grave, o sangramento ocorre com mais frequência nas articulações (hemartroses) e nos músculos (hematomas), mas qualquer local pode ser alvo de hemorragia após trauma ou lesão. A hematúria espontânea é um sinal frequente e altamente característico da doença.
A doença é causada por mutações no gene F8 (Xq28) que codifica o fator VIII de coagulação, ou no gene F9 (Xq27) que codifica o fator IX de coagulação, implicadas na hemofilia tipos A e B, respectivamente.
O diagnóstico é realizado com base nos exames de coagulação que revelam tempos de coagulação prolongados (tempo de tromboplastina parcial ativada, aPTT). O tipo e a gravidade da hemofilia são determinados através de medições específicas da atividade dos fatores VIII e IX e dos níveis de antígeno.
O diagnóstico diferencial inclui doença von Willebrand, deficiência combinada de fator VIII e fator V e outras anomalias de coagulação que promovem aumento dos tempos de coagulação.
O diagnóstico pré-natal realizado em amostra de vilosidades coriónicas ou amniócitos é rápido e informativo quando a mutação causal familiar é conhecida. Conhecer a mutação familiar no feto permite a preparação do parto e o seguimento médico precoce do recém-nascido.
A hereditariedade é ligada ao X recessiva e o aconselhamento genético é recomendado para as famílias afetadas. Para indivíduos femininos portadores da mutação, existe um risco de 50% de que os descendentes masculinos sejam afetados e um risco de 50% de que os descendentes femininos sejam portadores. No geral, há um risco de 25% para cada gravidez de que o feto seja um filho masculino com hemofilia e um risco de 25% de que o feto seja um filho feminino heterozigoto.
O seguimento clínico é promovido por centros multidisciplinares abrangentes no atendimento à hemofilia. A terapia de reposição que consiste na administração do fator VIII ausente (hemofilia A) ou do fator IX (hemofilia B) é a abordagem mais direta ao tratamento. Existem disponíveis concentrados de fator VIII e fator IX derivados de plasma e recombinantes. Também existem terapias não-fatoriais para a hemofilia A e as novas abordagens terapêuticas, incluindo terapia genética, estão em desenvolvimento. O tratamento pode ser administrado após uma hemorragia ou profilaticamente, para prevenir o sangramento. A complicação mais frequente é a produção de anticorpos inibitórios contra o fator de coagulação administrado. Intervenções cirúrgicas, principalmente nos casos de cirurgia ortopédica, podem ser realizadas mas, em centros especializados.
Caso não seja realizado o tratamento, a evolução da doença é grave e, na hemofilia grave, é habitualmente fatal. O tratamento insuficiente ou incorreto de hemartroses e hematomas recorrentes leva ao aparecimento de perturbação física com incapacidade grave associada a rigidez, deformação articular e incapacidade física. No entanto, as abordagens atuais de tratamento (profilaxia precoce) previnem estas complicações e o prognóstico é favorável. Hemorragia, infeções por HIV e HCV e doenças hepáticas são as principais causas de morte.
Atualizado em: março 2022 - Editor(es) Prof Yesim DARGAUD | EuroBloodNet*
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