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Ictiose lamelar
Ictiose congénita autossómica recessiva rara, caracterizada pela presença de grandes escamas no corpo todo, sem eritrodermia significativa.
ORPHA:313
Nível de Classificação: Patologia
Prevalência: 1-9 / 1 000 000
Hereditariedade: Autossómica dominante, Autossómica recessiva
Idade de início: Neonatal
É a variante mais comum da ictiose congénita autossómica recessiva (ARCI). A prevalência é estimada em aproximadamente 1/100.000-1/200.000 indivíduos.
Os recém-nascidos são frequentemente envolvidos numa membrana de colódio (membrana esticada, brilhante e translúcida que aparece como uma camada extra de pele) com ectrópio e eclábio. Após a sua eliminação (numa a duas semanas), as escamas que cobrem todo o corpo tornam-se aparentes. Na ictiose lamelar clássica (LI), as escamas são grandes, escuras e semelhantes a placas. São possíveis formas mais suaves com escamas mais claras e finas. Ao contrário da eritrodermia ictiosiforme congénita (EIC), não há eritrodermia significativa. No entanto, LI e EIC são as duas extremidades do mesmo espectro clínico, com muitos doentes a exibirem fenótipos intermédios. Adicionalmente, os fenótipos podem mudar ao longo do tempo ou durante o tratamento. A pele geralmente apresenta prurido ou dor (com fissuras), a mobilidade pode ser reduzida devido à rigidez da pele sobre as articulações e a função da barreira cutânea é prejudicada, o que pode resultar em aumento da perda de água transepidérmica e tendência para desidratação. Outras características associadas incluem: ectrópio persistente e complicações oculares associadas (queratite, cicatrizes na córnea), distrofia ungueal, alopecia cicatricial, queratodermia palmoplantar, atraso de crescimento, baixa estatura, hipoidrose com intolerância ao calor e deficiência auditiva (devido ao acumulação de escamas no ouvido externo).
LI é uma doença genéticamente heterogénea dentro do espectro da ictiose congénita autossómica recessiva (ARCI), geralmente devido a mutações nos genes TGM1, ABCA12, ALOX12B e NIPAL4. A maioria das mutações é encontrada no gene TGM1 que codifica a transglutaminase 1, envolvida na formação do envelope epidérmico das células cornificadas. ABCA12 codifica um transportador de cassete de ligação de ATP (ABC), envolvido no transporte lipídico, ALOX12B e NIPAL4 codificam araquidonato 12(R)-lipoxigenase e ictina respectivamente e estão envolvidos no metabolismo lipídico. Não há uma correlação clara entre genótipo e fenótipo. Existe também uma ictiose lamelar autossómica dominante com queratodermia palmoplantar devido a mutações no ASPRV1, que codifica uma protease envolvida no processamento da filagrina.
O diagnóstico é baseado nas evidências clínicas da pele e pode ser confirmado por testes genéticos. As características histológicas incluem orto-hiperqueratose, estrato granuloso normal a ligeiramente alargado, acantose e papilomatose da epiderme. A imunohistoquímica usando anticorpos direcionados contra a transglutaminase 1 ou a medição da atividade da enzima transglutaminase 1 está disponível em alguns centros. Os testes moleculares (como o diagnóstico por painel genético) são possíveis em laboratórios nacionais de referência.
O diagnóstico diferencial inclui formas sindrómicas de ictiose, ictiose recessiva ligada ao X e ictiose vulgar semidominante, e EIC em caso de eritrodermia.
O diagnóstico pré-natal é baseado na análise de ADN da amniocentese e das amostras de vilosidades coriónicas.
Aconselhamento genético deve ser disponibilizado às famílias afetadas.
Os recém-nascidos com apresentação de bebé colódio geralmente são internados em unidade de cuidados intensivos neonatais por 2 a 4 semanas. Numa fase mais tardia, o seguimento clínico assenta em aplicações diárias de emolientes e/ou queratolíticos. Os retinóides orais são úteis nas formas graves. A acitretina é o único retinóide aprovado pela Agência Europeia do Medicamento (EMA). Geralmente dosagens de 0,5 mg/kg/dia são suficientes. As doses devem ser mantidas em 10-25 mg/dia.
O prognóstico é variável. Durante o período neonatal, existe risco de sépsis e desequilíbrio eletrolítico. A doença muitas vezes permanece estável ao longo da vida, com períodos de exacerbação. A esperança de vida é normal após o período neonatal potencialmente crítico. A IL tem forte impacto na qualidade de vida devido à alteração da aparência física, aos sintomas incómodos e aos diversos constrangimentos decorrentes da doença e do seu tratamento.
Atualizado em: dezembro 2022 - Editor(es) Dr Kira SÜßMUTH | ERN-Skin*
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