Conhecimento sobre doenças raras e medicamentos órfãos
COVID-19 e doenças raras
Recursos em Doenças Raras para Pessoas Refugiadas/Deslocadas
Epilepsia mioclónica progressiva tipo 1
Doença rara que cursa com epilepsia mioclónica progressiva (PME) caracterizada por mioclonia sensível a ações e estímulos e convulsões tónico-clónicas com ataxia, decorre ainda um leve declínio cognitivo ao longo do tempo.
ORPHA:308
A epilepsia mioclónica progressiva tipo 1 (EPM1) apresenta a maior incidência entre as epilepsias mioclónicas progressivas (PMEs), com uma prevalência elevada em determinadas áreas geográficas (Finlândia, Itália, Tunísia, Argélia, Marrocos e Ilha da Reunião). A prevalência na Finlândia é estimada em 1/50.000. Embora a doença seja reconhecida mundialmente, aparentemente encontra-se subdiagnosticada. Ambos os sexos são igualmente afetados.
Os primeiros sintomas são de mioclonia sensível a estímulos e convulsões tónico-clónicas que aparecem entre os 6 e os 15 anos de idade. O tratamento imediato das convulsões mioclónicas pode prevenir convulsões tónico-clónicas generalizadas (GTCS). Progressivamente, os pacientes desenvolvem sintomas neurológicos adicionais, incluindo ataxia, disartria, tremor intencional e diminuição da coordenação. A depressão é comum. O desempenho cognitivo, na maioria das situações, encontra-se dentro da faixa normal. No entanto, os doentes podem apresentar um baixo desempenho nos testes dependentes de funções motoras. As convulsões tónico-clónicas são controladas de forma adequada por medicamentos anticonvulsivantes, mas os espasmos mioclónicos são progressivos, ativados por determinadas ações, resistentes ao tratamento e podem resultar em incapacidade grave.
A maioria dos casos ocorre devido a uma expansão em homozigotia da repetição do dodecâmero instável (normalmente 30 a 125 repetições) na região do promotor de CSTB (21q22.3), o que resulta no fenótipo clássico. Numa minoria de doentes, a expansão da repetição do dodecâmero ocorre sob a forma de heterozigotia composta com uma mutação na região codificadora de CSTB. O fenótipo clínico é o resultado de uma perda parcial da função em CSTB.
A suspeita diagnóstica surge através do eletroencefalograma, que deteta e demonstra fotossensibilidade no início e mioclonia de ação. O diagnóstico é confirmado por testes genéticos moleculares direcionados para a expansão do dodecâmero em CSTB. Quando a heterozigosidade para a expansão do dodecâmero é encontrada num indivíduo afetado, é apropriado utilizar testes genéticos moleculares para outras variantes patogênicas CSTB por análise direcionada para um painel mais amplo de variantes patogénicas ou por sequenciação da região.
Os sintomas iniciais podem ser discretos e poderá ser realizado um diagnóstico de epilepsia mioclónica juvenil; os sinais clínicos de EPM1 podem tornar-se evidentes apenas com a progressão da doença. O diagnóstico diferencial inclui outras PMEs com cognição preservada, por exemplo PME relacionada com PRICKLE1 e SCARB2, identificadas em determinadas famílias com um fenótipo clínico semelhante.
O padrão de hereditariedade é autossómico recessivo. O aconselhamento genético deve ser oferecido aos casais em risco (ambos os indivíduos são portadores de uma mutação causadora da doença), informando-os sobre o risco de 25% de ter um filho afetado em cada gravidez. O teste pré-sintomático não é recomendado.
As terapêuticas anticonvulsivas e antimioclónicas incluem valproato de sódio, clonazepam, piracetam (este último apenas para mioclonia), levetiracetam, brivaracetam, perampanel, topiramato e zonisamida. A fenitoína e a fosfenitoína deverão ser evitadas, uma vez que desencadeiam efeitos colaterais neurológicos prejudiciais. Adicionalmente outros bloqueadores dos canais de sódio, como a carbamazepina, deverão ser excluídos, uma vez que podem agravar as convulsões mioclónicas.
A doença apresenta um curso progressivo, com extensa variação individual, sendo que a mioclonia geralmente é o sintoma mais incapacitante. Um terço dos doentes apresenta grave incapacidade, com dependência de cadeira de rodas ou incapacidade de comer por mão própria. Por outro lado, alguns doentes conseguem ter uma vida totalmente autónoma. Com a progressão dos cuidados e de assistência médica as taxas de sobrevivência são comparáveis às da população controlo até 40 anos de idade, mas pioram a longo prazo. As fatalidades ocorrem principalmente devido a infeções respiratórias. As mutações compostas em heterozigotia estão associadas a um fenótipo mais grave do que as expansões de repetição de dodecâmeros em homozigotia.
Atualizado em: setembro 2021 - Editor(es) Dr Tiziana GRANATA | EpiCARE* - Prof Reetta KÄLVIÄINEN | EpiCARE* - Prof Rima NABBOUT | EpiCARE*
Français,
Español,
Deutsch,
Italiano,
Nederlands
: Produzido/endossado pela(s) Rede(s) Europeia(s) de Referência
: Produzido/endossado pela(s) FSMR
Público em geral
Guias
Artigos de revisão sobre a doença
Informação adicional sobre esta doença
Recursos de saúde centrados no utente para esta doença
Atividades de investigação nesta doença
Rastreio neonatal