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Epidermólise bolhosa simples

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Definição da doença

Grupo de doenças hereditárias da epidermólise bolhosa (EBH) caracterizado por fragilidade da pele resultando em vesículas e erosões intraepidérmicas que ocorrem espontaneamente ou após trauma físico.

ORPHA:304

Nível de Classificação: Grupo de patologias

Sinónimo(s):
  • EBS

Prevalência: 1-9 / 1 000 000

Hereditariedade: Autossómica dominante, Autossómica recessiva

Idade de início: Adolescente, Infância, Infância, Neonatal

CID-10: Q81.0

CID-11: EC30

UMLS: C0079298

MeSH: D016110

GARD: 10752

Sumário
Epidemiologia

A prevalência relatada de epidermólise bolhosa simples (EBS) varia entre 1/85.000-500.000 em todo o mundo.

Descrição clínica

O início do quadro clínico ocorre geralmente ao nascimento ou logo após, embora a formação de vesículas na EBS localizada pode não ocorrer até ao final da infância ou início da idade adulta. Junto com as vesículas e erosões localizadas ou generalizadas, por vezes evidenciando padrões característicos (agrupamento herpetiforme), as características cutâneas podem incluir queda e distrofia das unhas e, raramente, a formação de milia. A cicatriz é quase sempre ausente ou mínima (rugas atróficas leves e despigmentação). Outros achados podem incluir ausência congénita da pele e queratodermia localizada ou difusa das palmas das mãos e plantas dos pés. A manifestação extracutânea mais comum é a formação de vesículas na cavidade oral. Uma variedade de complicações extracutâneas adicionais podem ocorrer e são dependentes da idade, sendo que o início e o risco cumulativo de ocorrência são altamente dependentes do subtipo de EBS (por exemplo, distrofia muscular em EBS PLEC-relacionada, cardiomiopatia em EBS KLHL24-relacionada, nefropatia em EBS CD151-relacionada). As vesículas ocorrem na camada basal da epiderme.

Etiologia

A EBS, do ponto de vista genético, é um grupo heterogéneo, causada por variantes patogénicas em genes específicos dependendo do subtipo.

Métodos de diagnóstico

O diagnóstico baseia-se na identificação do nível epidérmico no qual as vesículas se desenvolvem após uma pequena tração da pele. As técnicas recomendadas são o mapeamento de antigénio por imunofluorescência (MAI) e a microscopia eletrónica de transmissão (MET) realizada numa amostra de biópsia de pele. Os subtipos são definidos com base no modo de transmissão, MAI e MET e a apresentação clínica. As manifestações cutâneas não são marcadores diagnósticos confiáveis, principalmente em recém-nascidos. O teste genético deve ser sempre realizado para determinar a anomalia genética subjacente. Devido à heterogeneidade génica, é recomendável a análise por painel de genes EB através da sequenciação de nova geração.

Diagnóstico diferencial

O diagnóstico habitualmente é evidente, com pouca necessidade de diagnóstico diferencial extenso. No entanto, no período neonatal, a infeção por herpes simplex in utero pode ser considerada, especialmente se não houver história familiar de doença bolhosa ou se os achados clínicos forem atípicos para epidermólise bolhosa. O diagnóstico diferencial em recém-nascidos e crianças pode incluir aplasia cutânea congénita, pênfigo neonatal, herpes gestacional neonatal, síndrome da pele escaldada estafilocócica, incontinência pigmentar, ictiose epidermolítica, dermatose IgA linear, penfigoide bolhoso e impetigo bolhoso.

Diagnóstico pré-natal

O diagnóstico pré-natal deve ser oferecido às famílias com EBS grave.

Aconselhamento genético

Nos subtipos autossómicos dominantes de EBS, os indivíduos afetados têm um progenitor afetado de quem herdaram uma variante patogénica, mas numa elevada percentagem de casos, as variantes patogénicas ocorrem de novo. Cada filho de um indivíduo com EBS tem 50% de risco de herdar a variante patogénica. Nos subtipos autossómicos recessivos da EBS, os pais de uma criança afetada são heterozigóticos obrigatórios para uma variante patogénica relacionada com a EBS. Cada irmão de um indivíduo afetado tem 25% de risco de ser afetado, 50% de risco de ser heterozigótico e 25% de risco de não ser afetado e não heterozigótico. A EBS autossómica recessiva é comum em países com altas taxas de casamentos consanguíneos.

Controlo da doença e tratamento

O seguimento clínico baseia-se na prevenção da formação de vesículas por meio de acolchoamento protetor meticuloso da pele e um estilo de vida apropriado para evitar traumas e prevenir uma infeção secundária através de cuidados com as feridas. O ar condicionado pode ajudar a prevenir o agravamento da doença em climas quentes. Doentes com subtipos de EBS com maior risco de complicações extracutâneas específicas precisam ser cuidadosamente monitorizados e implementadas medidas apropriadas para evitar que os tecidos afetados se tornem gravemente comprometidos. Os inibidores tópicos de IL-1 provaram algum benefício em ensaios clínicos de pequena dimensão. Nenhum tratamento específico está disponível para as manifestações extracutâneas da EBS.

Prognóstico

O prognóstico é muito dependente do subtipo. A maioria dos doentes tem uma expectativa de vida normal, mas pode ocorrer uma morbilidade significativa e até morte precoce em alguns subtipos.

Atualizado em: julho 2021 - Editor(es) Prof Cristina HAS | ERN-Skin*

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