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Trombocitopénica imune
A púrpura trombocitopénica imune (ou trombocitopenia imune; PTI) é uma doença de coagulação autoimune caracterizada por trombocitopenia isolada (uma contagem de plaquetas <100,000/microL), na ausência de qualquer doença subjacente que possa estar associada a trombocitopenia.
ORPHA:3002
A incidência anual nos adultos está estimada entre 1/62,500 e 1/25,600, com uma razão de indivíduos do sexo feminino: masculino de 1.3:1. Apesar de a PTI poder ocorrer em qualquer idade, a incidência mostra uma distribuição bimodal dependente da idade para os homens com dois picos de incidência observados entre os rapazes (com menos de 18 anos de idade) e os idosos. Nas mulheres a taxa de incidência é constante.
A PTI é assintomática num terço dos casos. A hemorragia mucocutânea com púrpura é a manifestação clínica mais frequente, ocorrendo quando a contagem de plaquetas é inferior a 30,000/microL. Hemorragia visceral grave (hematúria, hemorragia gastrointestinal ou hemorragia cérebro-meningeal) observa-se sobretudo quando a trombocitopenia é inferior a 10,000/microL. Dependendo da duração da doença, a PTI é classificada em recente, persistente (duração de 3-12 meses) e crónica (duração de ≥12 meses). A PTI é definida como grave quando a presença de sintomas hemorrágicos na apresentação necessita de tratamento ou quando a ocorrência de novos sintomas hemnorrágicos requere intervenção terapêutica adicional.
A etiologia é desconhecida. Contudo, a origem da doença não é genética uma vez que os casos familiares são excepcionais. A destruição de plaquetas, mediada por autoanticorpos principalmente no baço, está associada tanto a produção diminuída de plaquetas como a efeitos mediados por células T.
Um diagnóstico presumptivo de PTI é feito quando a história, exame físico, hemograma completo e exame do esfregaço de sangue periférico não sugerem outras etiologias para a trombocitopenia. Não existe nenhum teste ideal que possa establecer o diagnóstico. Uma resposta positiva a uma terapia específica para PTI, e.g. imunoglobulina intravenosa (IVIg) e/ou esteróides, apoia o diagnóstico. A aspiração da medula óssea (indicada após os 60 anos de idade, em caso de anomalias de outras linhas celulares ou quando a trombocitopenia não responde ao tratamento de 1ª linha) mostra medula óssea normal. Adicionalmente à avaliação morfológica, deve ser considerado teste citogenético se houver suspeita de síndrome mielodisplásico.
O diagnóstico diferencial deve incluir causas secundárias da PTI (PTI induzida por medicamentos), doenças autoimunes (tal como lúpus eritematoso sistémico; ver este termo) infecção pelo HIV e hepatite C.
A estratégia terapêutica deve ser adaptada tanto à gravidade da doença como à idade do doente. Raramente está indicado tratamento para doentes com contagem de plaquetas superior a 30x109/L na ausência de hemorragia. Os corticoesteróides são o tratamento padrão de primeira linha. O uso de IVIg pode ser apropriado em doentes com hemorragia que não respondem à predisona. Em caso de PTI crónica grave, o tratamento de referência é a esplenectomia. Pode ser também considerado o tratamento com anticorpo monoclonal anti-CD20 (rituximab). Os agonistas do receptor da trombopoietina (TPO) (eltrombopag e o medicamento órfão europeu romiplostim) produzem respostas excelentes e são indicados para doentes que não respondem à esplenetocmia ou quando a esplenectomia é contraindicada. Devido ao mecanismo de acção dos agonistas do receptor de TPO, são considerados como terapêutica de manutenção. O regresso da trombocitopenia após a paragem do tratamento é uma preocupação. Devem ser reservados agentes citotóxicos para os raros doentes que são refractários aos tratamentos anteriormente mencionados.
A taxa de mortalidade é geralmente abaixo dos 2%, mas pode exceder os 10% nos raros doentes refractários à esplenectomia e aos tratamentos de primeira e segunda linha.
Atualizado em: agosto 2009 - Editor(es) Prof Bertrand GODEAU
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