Conhecimento sobre doenças raras e medicamentos órfãos
COVID-19 e doenças raras
Recursos em Doenças Raras para Pessoas Refugiadas/Deslocadas
Epidermólise bolhosa Kindler
Epidermólise bolhosa (EB) hereditária rara caracterizada por fragilidade cutânea e formação de vesiculas desde o nascimento, que progride para fotossensibilidade e alterações cutâneas poiquilodermatosas progressivas.
ORPHA:2908
A epidermólise bolhosa Kindler (KEB) é o quarto tipo das principais formas de EB após a EB simples, a EB juncional e a EB distrófica. A prevalência exata é desconhecida. Mais de 250 casos foram relatados até o momento.
A doença manifesta-se habitualmente ao nascimento com a formação, na pele, de vesículas induzidas por trauma, são mais proeminentes nas extremidades e tendem a regredir, sendo raras na idade adulta. A cicatrização das vesiculas ocorre com cicatrizes mínimas. Na evolução da doença registam-se achados cutâneos adicionais: (i) na maioria dos doentes, a fotossensibilidade com eritema e vesículas fotoinduzidas é óbvia desde a primeira infância e geralmente diminui após a adolescência, (ii) poiquilodermia progressiva da pele (atrofia, telangiectasias e pigmentação reticular) manifesta-se desde a infância e localiza-se predominantemente na face e pescoço, e (iii) a atrofia da pele localizada nas mãos e pés nos primeiros anos de vida, com generalização na adolescência. As vesiculas também afetam as mucosas. Na cavidade oral, a gengivite crónica e a periodontite são frequentes e proeminentes na idade adulta. Estenoses esofágicas, causam disfagia e exigem dilatações repetidas, e frequentemente desenvolvem-se na idade adulta. Foi descrito o envolvimento anal (sangramento, estenose), urogenital (sangramento uretral, estenose meatal) e ocular (ectrópio). A frequência destas manifestações aumenta com a idade. Uma característica adicional frequente é a formação de membranas digitais/pseudosindactilia parcial. O envolvimento laríngeo e intestinal, este último manifestando-se com colite grave, é raro. Outras características podem incluir: xerose cutânea e descamação fina, hiperqueratose palmoplantar, formação de milia, distrofia ungueal, bandas constritivas do tipo pseudoainhum e leucoqueratose orogenital. Os doentes com KEB apresentam maior suscetibilidade ao desenvolvimento de carcinomas de células escamosas (CEC).
A epidermólise bolhosa Kindler é causada por mutações com perda de função no gene kindlin-1 (FERMT1; 20p12.3) causando um défice na expressão do homólogo 1 da família da fermitina (kindlin-1), um componente das conexões adesivas focais celulares.
O diagnóstico ocorre através do exame clínico e da determinação por biópsia, do nível de desenvolvimento das vesículas após uma pequena tração. O mapeamento de antigénios por imunofluorescência e a microscopia eletrónica de transmissão nas amostras de pele com vesículas evidenciam planos de clivagem, únicos ou múltiplos, ao nível da zona da membrana basal cutânea, e uma extensa reduplicação da lâmina densa. A formação de vesículas pode ocorrer abaixo da lâmina densa, dentro da lâmina lúcida ou dentro dos queratinócitos basais. O diagnóstico é confirmado por testes genéticos moleculares, principalmente durante os primeiros anos de vida.
O diagnóstico diferencial inclui todas as formas de EB hereditária, em particular EB distrófica e a EB simples com pigmentação mosqueada, bem como doenças congénitas com fotossensibilidade e poiquilodermia, como a síndrome Rothmund-Thomson, síndrome Bloom, disqueratose congénita, poiquilodermia com neutropenia ou xeroderma pigmentoso.
O diagnóstico pré-natal pode ser realizado em famílias com risco de terem um filho com KEB, e nas situações em que a variante genética causadora da doença foi previamente identificada num membro da família afetado.
A hereditariedade é autossómica recessiva. O aconselhamento genético deverá ser disponibilizado aos casais em risco (ambos os indivíduos são portadores de uma mutação causadora da doença) informando-os sobre o risco de 25% de ter um filho afetado em cada gravidez.
O seguimento clínico baseia-se na prevenção da formação de vesículas através de um envolvimento protetor da pele. Hidratantes cutâneos devem ser aplicados para reduzir a xerose e as fissuras da pele, e devem ser adotadas medidas preventivas para a fotossensibilidade. O cuidado precoce da mucosa oral é obrigatório para preservar a dentição. As estenoses esofágicas podem ser tratadas através de uma dilatação por balão com orientação fluoroscópica. O diagnóstico precoce do CEC (pele e membranas mucosas) requer um acompanhamento rigoroso e regular desde a idade adulta jovem.
Na maioria dos casos, a esperança de vida é normal. No entanto, há descrição clínica de doentes com CEC agressivo fatal e, numa série de casos publicados, o cancro de pele atingiu 70% dos doentes com mais de 45 anos.
Atualizado em: maio 2021 - Editor(es) Prof Cristina HAS | ERN-Skin*
Français,
Español,
Deutsch,
Italiano,
Nederlands
Ελληνικά
: Produzido/endossado pela(s) Rede(s) Europeia(s) de Referência
: Produzido/endossado pela(s) FSMR
Público em geral
Guias
Artigos de revisão sobre a doença
Incapacidade
Informação adicional sobre esta doença
Recursos de saúde centrados no utente para esta doença
Atividades de investigação nesta doença
- Projetos de investigação (46)
- Ensaios clínicos (2)
- Biobancos (8)
- Registos (25)
- Redes de referência (4)
Rastreio neonatal