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Doença de armazenamento de glicogénio por deficiência de fosforilase-cinase hepática
A doença de armazenamento do glicogénio (GSD), por deficiência da fosforilase-cinase hepática (PhK) é uma doença do metabolismo do glicogénio, benigna, caracterizada por hepatomegalia, atraso de crescimento e atraso ligeiro do desenvolvimento motor durante a infância.
ORPHA:264580
É a apresentação mais comum da doença de armazenamento de glicogénio devido à deficiência de PhK (ver este termo) com uma incidência estimada em menos de 1/100,000 nascimentos.
Os doentes geralmente apresentam na primeira infância hepatomegalia, atraso do crescimento e atraso ligeiro do desenvolvimento motor. A hipoglicemia e hiperlipidemia induzidas pelo jejum são variáveis e, se presentes, são geralmente ligeiras. Os adultos são geralmente assintomáticos. Uma face redonda e cheia e osteopenia foram descritos em ocasiões excepcionais de casos de hereditariedade ligada ao X. Os casos com hereditariedade autossómica recessiva apresentam aumento do risco de cirrose hepática devido à fibrose. A fosforilase-cinase (PhK) é uma enzima que desempenha um papel fundamental na regulação da glicogenólise já que é necessária para activação da glicogénio-fosforilase. Consiste em quatro cópias de cada uma das quatro subunidades (alfa, beta, gama e calmodulina) codificadas por genes diferentes em cromossomas diferentes e diferencialmente expressos em vários tecidos.
O tipo mais frequente de GSD causado pela deficiência da PhK hepática é o tipo ligado ao X recessivo (XLG) que é causado por mutações no gene PHKA2 i> (Xp22.2-p22. 1) que codifica a isoforma hepática da subunidade alfa. Quando a deficiência enzimática é encontrada tanto nos eritrócitos como nos hepatócitos, a doença é classificada como XLG1, ao passo que quando a deficiência só pode ser demonstrada em células hepáticas, é classificadao como XLG2, embora estudos tenham mostrado que, em ambos os casos, as mutações ocorrem dentro da mesma subunidade. O tipo autossómico recessivo é causado por mutações no gene PHKG2 i> (16p12.1-p11.2) que codifica a isoforma hepática da subunidade gama. A deficiência de PhK causada por todas estas mutações leva à acumulação de glicogénio no fígado.
O diagnóstico bioquímico é feito pela medição da actividade da fosforilase-cinase em eritrócitos ou numa biópsia de fígado. Alguns doentes podem ter actividade normal nos glóbulos vermelhos (variante XLG2). As transaminases séricas podem estar elevadas. O teste genético é útil para confirmar ou estabelecer o diagnóstico.
O diagnóstico diferencial inclui outras doenças do armazenamento do glicogénio, tais como deficiência da fosforilase hepática (GSD tipo VI), deficiência da enzima desramificadora do glicogénio (GSD tipo III) e GSD devido à deficiência de glicose-6-fosfatase (GSD tipo I) (ver estes termos).
A maioria dos doentes não necessitam de tratamento específico. A hipoglicemia pode ser controlada por tratamento dietético adequado (refeições frequentes ricas em carboidratos e suplementos com amido cru).
O curso clínico é benigno, com os doentes atingindo a sua estatura e peso máximos durante a idade adulta. A esperança de vida é normal.
Atualizado em: maio 2011 - Editor(es) Dr Roseline FROISSART - Prof Philippe LABRUNE
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