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Epidermólise bolhosa simples com distrofia muscular
Uma forma de epidermólise bolhosa simples (EBS) caracterizada por vesículas generalizadas associadas à distrofia muscular.
ORPHA:257
A prevalência de epidermólise bolhosa simples com distrofia muscular (EBS-MD) é desconhecida, mas foram relatados mais de 40 casos até à data.
O início da formação das vesículas ocorre habitualmente ao nascimento, enquanto a distrofia muscular manifesta-se entre a infância e a idade adulta, com uma idade média de início de 9,5 anos. As vesículas geralmente são hemorrágicas e cicatrizam de forma atrófica ligeira e raramente com formação de milia. Outras manifestações clínicas incluem unhas marcadamente distróficas e queratodermia focal das palmas e plantas dos pés. O envolvimento extracutâneo geralmente está presente, incluindo hipoplasia do esmalte com cárie dentária prematura, vesículas na cavidade oral, faringe e, raramente, laringe e traqueia com estridor inspiratório e dificuldades respiratórias que requerem uma traqueotomia. A fraqueza lentamente progressiva dos músculos da cabeça e dos membros surge entre o primeiro ano e a quarta década de vida e pode confinar o doente a uma cadeira de rodas. Sintomas neurológicos adicionais (ptose, fraqueza muscular oculobulbar e fadiga) indicativos de síndrome miasténica foram descritos em alguns casos. O envolvimento da mucosa, incluindo a mucosa uretral, é comum. A cardiomiopatia pode estar associada e, em casos raros, atresia pilórica.
A EBS-MD é causada por mutações no gene PLEC (8q24) que codifica a plectina. A deficiência de plectina pode ser demonstrada na pele e no músculo por análise de anticorpos específicos.
O diagnóstico baseia-se no modo de transmissão, achados histopatológicos e apresentação clínica. O mapeamento de imunofluorescência demonstra ausência de imunorreatividade para plectina e um plano de clivagem profundo dentro do pólo basal dos queratinócitos basais. A microscopia eletrónica de transmissão mostra a formação de divisão intraepidérmica com lâmina densa e lúcida e hemidesmossomas na base da vesícula. Testes genéticos demonstram variantes patogénicas bialélicas com perda de função em PLEC que codifica a plectina.
O diagnóstico diferencial é relativo a outros tipos de EBS e distúrbios com vesículas cutâneas congénitas.
O diagnóstico pré-natal deve ser oferecido às famílias afetadas nas quais a(s) variante(s) patogénica(s) foi previamente diagnosticada(s).
A doença é autossómica recessiva e o aconselhamento genético deve ser oferecido aos casais em risco (ambos os indivíduos são portadores de uma mutação causadora da doença), informando-os que há um risco de 25% de terem um filho afetado a cada gravidez.
Não há tratamento específico disponível, o tratamento é sintomático através dos cuidados clínicos com as feridas e medidas de suporte geral.
Quanto ao prognóstico, o reconhecimento imuno-histoquímico da EBS-MD na infância é particularmente importante, pois em alguns doentes a distrofia muscular associada pode não ser aparente até à infância ou idade adulta. A EBS-MD pode ter um desfecho fatal.
Atualizado em: julho 2021 - Editor(es) Prof Cristina HAS | ERN-Skin*
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