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Displasia óssea fibrosa

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Definição da doença

Displasia óssea, rara e benigna, caracterizada pela substituição progressiva do osso e medula normais por tecido conjuntivo fibroso, num único osso (monostótica) ou em múltiplos ossos (poliostótica). As manifestações clínicas dependem da localização anatómica da substituição e podem incluir dor óssea, deformidades, fraturas patológicas e défices dos nervos cranianos.

ORPHA:249

Nível de Classificação: Patologia

Prevalência: Desconhecido

Hereditariedade: Não aplicável

Idade de início: Adolescente, Idade adulta, Infância

CID-10: Q78.1

CID-11: FB80.0

UMLS: C0259779

MeSH: D005357

GARD: 6444

MedDRA: 10016664

Sumário
Epidemiologia

A prevalência é desconhecida e difícil de estimar devido às frequentes lesões assintomáticas.

Descrição clínica

A displasia fibrosa (DF) pode envolver o esqueleto craniofacial, axial e/ou apendicular, individual ou simultaneamente, e varia de lesões monostóticas assintomáticas isoladas a lesões poliostóticas com grave incapacidade, originando dor, fratura, deformidade ou perda de visão e audição. A forma monostótica representa aproximadamente 70% dos casos, e poderá manifestar-se através de dor ou fratura patológica e habitualmente é diagnosticada entre os 10 e os 30 anos de idade. A forma poliostótica representa 20-30% dos casos, com a maioria dos doentes sintomáticos antes dos 10 anos de idade. Os locais mais comuns incluem fémur, tíbia, crânio e ossos faciais, pélvis, costela, úmero, rádio e ulna, coluna lombar, clavícula e coluna cervical. As lesões podem ser unilaterais ou, menos frequentemente, bilaterais. Os sintomas iniciais geralmente são de dor no(s) membro(s) envolvido(s), associada a claudicação se o membro inferior estiver envolvido, e fratura espontânea. A integridade estrutural enfraquecida frequentemente leva a arqueamento significativo e a discrepâncias no comprimento das pernas nos doentes com envolvimento dos membros. O atingimento do osso esfenoidal está associado a défices variáveis dos nervos cranianos, essencialmente perda de visão (afetando menos de 10% dos indivíduos com compressão do nervo óptico). Muitos doentes com formas poliostóticas também apresentam perda renal de fosfato, representando um risco aumentado de fratura. No extremo do espectro clínico, uma pequena proporção de doentes também apresenta manifestações endócrinas, sendo a mais comum a puberdade precoce periférica. Com elevada frequência observa-se hipertiroidismo e hipersecreção da hormona de crescimento, enquanto que a síndrome Cushing é excepcional. Estes doentes também apresentam manchas cutâneas café-com-leite. Estas características endócrinas ou cutâneas representam a síndrome McCune-Albright. Neoplasias mucinosas papilares intraductais pancreáticas foram descritas em doentes com formas complexas.

Etiologia

Mutações ativadoras somáticas no gene GNAS (20q13.32), que codifica a subunidade alfa do recetor da proteína Gs (Gsalfa) nas células-alvo, são responsáveis por alterações nas células ósseas, e pelo envolvimento de outras células/tecidos portadores do mesmo defeito molecular (melanócitos, células endócrinas).

Métodos de diagnóstico

Os exames de imagiologia e, quando necessário, a histologia são os pilares do diagnóstico. As características radiológicas patognomónicas incluem radiolucência e aparência de ''vidro fosco'' (sem evidência de padrão trabecular nas áreas afetadas), presença variável de recorte endosteal do córtex interno (mas com superfície periosteal lisa e não reativa), curvatura do colo femoral e da diáfise proximal (muitas vezes originando uma deformidade em coxa vara do joelho) e deformidade em cajado de pastor.

Diagnóstico diferencial

O diagnóstico diferencial inclui displasia osteofibrosa, osteocondroma, exostose, osteossarcoma, condrossarcoma, osteofibroma, meningioma craniano e osteoma.

Aconselhamento genético

As mutações afetam apenas as células somáticas e, portanto, não são hereditárias, pelo que o aconselhamento genético pode fornecer garantias, não sendo estritamente necessário.

Controlo da doença e tratamento

A abordagem terapêutica convencional é essencialmente sintomática (analgésicos) e ortopédica (prevenção e tratamento das complicações ósseas). O tratamento típico com pamidronato intravenoso, alivia rapidamente a dor óssea na maioria dos doentes e aumenta progressivamente a mineralização óssea em áreas osteolíticas em cerca de metade dos doentes. Em contraste, ensaios randomizados controlados por placebo demonstraram que os bifosfonatos orais não são mais eficazes que o placebo na redução da dor óssea. A perda tubular renal de fosfato é comum e deve ser tratada com suplementação de fosfato e calcitriol.

Prognóstico

O prognóstico habitualmente é bom em doentes com a forma monostótica. Os doentes poliostóticos devem ser monitorizados de forma mais apertada, mas, como a doença tende a estabilizar após a adolescência, o prognóstico é geralmente bom nos adultos.

Atualizado em: agosto 2019 - Editor(es) Prof Roland CHAPURLAT
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