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Doença de Von Willebrand, tipo 3
O tipo 3 da doença de von Willebrand (VWD tipo 3) é a forma mais grave da VWD (ver este termo) caracterizada por uma patologia hemorrágica associada a ausência total ou quase total do fator de Willebrand (fator de von Willebrand; VWF) no plasma e compartimentos celulares, levando também a uma deficiência profunda do fator VIII plasmático (FVIII).
ORPHA:166096
O tipo 3 da doença é a forma mais rara da VWD, contabilizando menos de 5% de todos os casos. A incidência anual varia entre países, desde 1/2,000,000 a 1/350,000 na Europa e nos EUA e com estimativa de cerca de 1/500,000 nos países onde a consanguinidade é mais frequente.
A apresentação ocorre normalmente durante o período neonatal ou durante a infância. As anomalias hemorrágicas são principalmente caracterizadas por hemorragias mucocutâneas (epistaxis, menorragia, hemorragia pós-parto, hemorragia gastrointestinal etc.) e hemorragia prolongada após intervenções cirúrgicas. Tal como nos doentes hemofílicos, podem ocorrer hematomas e hemartroses nos indivíduos com o tipo 3 da VWD devido à deficiência grave do FVIII. Também foi descrita hemorragia cerebral.
A doença é causada por mutações em homozigotia (em caso de consanguinidade) ou heterozigotia composta (principalmente mutações missense ou grandes delecções) no gene VWF (12p13.3) que levam à síntese de uma proteína truncada ou ao silenciamento do alelo. A transmissão é autossómica recessiva.
O diagnóstico é directo e é baseado na ausência de VWF detectável por todos os métodos disponíveis (incluindo ensaios funcionais e imunológicos e eletroforese em gel de agarose), acompanhada de deficiência secundária do FVIII com uma diminuição entre 1 a 10% dos níveis normais.
O diagnóstico diferencial com a síndrome de von Willebrand adquirida (AVWS; ver este termo) é fácil dado o início precoce das manifestações hemorrágicas na forma hereditária e diferenças nos achados laboratoriais (na AVWS, os níveis de antigénios do VWF permanecem dentro dos limites detectáveis e são visíveis multímeros residuais no gel de agarose). O tipo 3 de VWD é também habitualmente fácil de distinguir de outras formas hereditárias da VWD.
Pode ser oferecido diagnóstico pré-natal em gravidezes futuras para quem já tenha tido uma criança com o tipo 3 de VWD ou casais consanguíneos com uma história familiar da VWD. O diagnóstico é melhor gerido num centro multidisciplinar e é mais directo se tiverem sido identificadas as mutações causadoras da doença na família.
O aconselhamento genético é essencial para fornecer informação sobre riscos associados à doença e sobre as estratégias de gestão, e deve também levar à identificação de familiares portadores da mutação causadora da doença.
Os doentes com o tipo 3 da VWD não respondem à desmopressina e por isso a terapia de substituição com VWF humano purificado associado, pelo menos para a primeira injecção, com FVIII é o principal tratamento preventivo ou curativo. Alguns doentes (7.5-9.5% dos casos) desenvolvem aloanticorpos contra o VWF fazendo com que o tratamento de substituição seja ineficaz e resultando numa reação anafilática associada com a formação de complexos imunes. Nestes casos devem ser considerados tratamentos alternativos, como infusões contínuas do factor VIII recombinante ou do fator VII recombinante ativado. O tratamento profilático a longo termo com injeções regulares de VWF humano purificado podem ser necessárias para doentes com eventos hemorrágicos recorrentes.
A VWD tipo 3 é a forma mais grave da VWD e na ausência de tratamento apropriado em centros hospitalares especializados em hemostase e trombose as manifestações podem condicionar risco de vida e levar a incapacidade funcional.
Atualizado em: fevereiro 2009
: Produzido/endossado pela(s) Rede(s) Europeia(s) de Referência
: Produzido/endossado pela(s) FSMR
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