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Doença de Von Willebrand, tipo 1
A doença de von Willebrand tipo 1 (VWD tipo 1) é uma forma de VWD (ver este termo) caracterizada por uma doença hemorrágica associada a uma deficiência plasmática quantitativa parcial de factor de Willebrand (factor de von Willebrand; VWF) de resto estrutural e funcionalmente normal.
ORPHA:166078
O tipo 1 da doença é considerado ser a forma mais comum da VWD, contribuindo para entre 50 a 75% dos casos, mas a sua prevalência é provavelmente sobreestimada. A idade de início das alterações hemorrágicas varia, com apresentação precoce e sintomas mais graves associados a deficiência mais grave do VWF.
As manifestações hemorrágicas são geralmente caracterizadas por hemorragias mucocutâneas (menorragia, epistaxis, ou hemorragia prolongada após traumatismo ou uma intervenção cirúrgica). Os sintomas podem ser quantificados pelo uso de uma escala hemorrágica.
A VWD é causada por mutações no gene VWF (12p13.3). As anomalias responsáveis pela VWD tipo 1 originam geralmente a retenção intracelular ou a rápida eliminação do VWF da circulação. Contudo, foram descritas famílias em que não foram detectadas mutações no gene VWF indicando que podem estar implicados outros factores genéticos. Até ao momento, o único factor adicional associado à doença é o grupo sanguíneo ABO, com os níveis do VWF no grupo sanguíneo O sendo 25-35% mais baixos do que nos grupos sanguíneos não O. A transmissão é autossómica dominante com penetrância incompleta. A presença de manifestações hemorrágicas no doente e em pelo menos um outro elemento da família é obrigatório para o diagnóstico.
O diagnóstico laboratorial baseia-se na detecção de diminuições paralelas nos níveis funcionais e de antigénios do VWF para valores inferiores a 40% do normal, na ausência de anomalias detectáveis na distribuição ou estrutura dos multímeros do VWF. Uma deficiência moderada do fator VIII (FVIII) pode também estar presente. Dada a variação nos valores do VWF (particularmente entre os indivíduos com o grupo sanguíneo O) e a ocorrência de eventos hemorrágicos anormais na população geral, pode ser difícil diferenciar os indivíduos não afectados daqueles com o tipo 1 da VWD. A avaliação dos doentes através da escala de hemorragia e a avaliação da história familiar são assim essenciais para o diagnóstico.
O aconselhamento genético deve disponibilizar informação extensa aos doentes e levar à avaliação da família.
A medicação (como ácido tranexamico para hemorragias ORL e tratamento com estrogéneo-progesterona para menorragia) disponibiliza um tratamento eficaz e pode ser prescrita isoladamente ou como uma terapia adjuvante. A desmopressina (que desencadeia uma libertação transitória do VWF endógeno armazenado nas células epiteliais) pode ser administrada nos casos em que é necessário um tratamento curativo ou preventivo específico. A resposta à desmopressina é normalmente boa nos doentes com o tipo 1 da doença. A terapia de subtituição com VWF humano purificado constitui um tratamento alternativo em caso de problemas hemorrágicos significativos, ou para doentes em que a desmopressina é contraindicada, com uma resposta fraca à desmopressina, ou aqueles em que ocorre taquifilaxia.
A VWD tipo 1 geralmente não implica risco de vida e não leva a compromisso funcional.
Atualizado em: fevereiro 2009
: Produzido/endossado pela(s) Rede(s) Europeia(s) de Referência
: Produzido/endossado pela(s) FSMR
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