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Deficiência de carnitina palmitoiltransferase 1A

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Definição da doença

O défice de carnitina palmitoiltransferase 1A (CPT-1A) é uma doença metabólica congénita que afecta a oxidação mitocondrial dos ácidos gordos de cadeia longa (AGCL) no fígado e rins, e é caracterizada por ataques recorrentes de hipoglicemia hipocetótica induzida pelo jejum e risco de insuficiência hepática.

ORPHA:156

Nível de Classificação: Patologia

Prevalência: <1 / 1 000 000

Hereditariedade: Autossómica recessiva

Idade de início: Infância, Neonatal

CID-10: E71.3

CID-11: 5C52.00

OMIM: 255120

UMLS: C1829703

MeSH: C535588

GARD: 1120

Sumário
Epidemiologia

Desde a descrição da doença em 1981 foram descritos menos de 50 casos.

Descrição clínica

O défice de CPT-1A manifesta-se entre o nascimento e os 18 meses de idade, com crises recorrentes de hipoglicemia hipocetótica de gravidade variável, desencadeadas pelo jejum ou doença intercorrente, que podem levar a sequelas neurológicas graves. Os doentes com défice de CPT-1A também podem apresentar-se com encefalopatia hepática com perda de consciência, convulsões, coma, ou até mesmo morte súbita. Pode existir um risco de progressão para insuficiência hepática. Os doentes com deficiência de CPT-1A grave também podem ter acidose renal tubular.

Etiologia

O défice de CPT-1A é causado por mutações no gene CPT1A que codifica para a isoforma hepática da enzima CPT1 localizada dentro da membrana externa mitocondrial e cuja função é conjugar os AGCL em carnitina. Isto permite a transferência de AGCL do citosol para a mitocôndria onde serão oxidados. A enzima CPT1 tem três isoformas com expressão tecidular específica e codificadas por genes diferentes: a isoforma 'L', expressa no fígado e nos rins pelo gene CPT1A (11q13), a isoforma 'M', sintetizado no músculo esquelético e cardíaco pelo gene CPT1B (22qter), e a isoforma cerebral expressa pelo gene CPT1C (19q13). Nenhum caso clínico de défice da isoforma muscular ou cerebral foi descrito. Foi descrita uma variante genética de CPT1A (que resulta na alteração proteica P479L) que é muito comum em indivíduos originários do Alasca e Inuit da Groenlândia e alguns Canadianos nativos. O significado desta variante ainda não está estabelecida e o risco de associação a doença grave como resultado desta variação é incerto. Um único caso de um adulto que era homozigoto para a variante P479L apresentava sintomas musculares (cãibras), mas uma associação com a variante parece duvidosa.

Métodos de diagnóstico

Durante a crise metabólica, os exames ao sangue revelam hipoglicemia, níveis elevados de carnitina e transaminases hepáticas e hiperamonemia moderada. Os testes à urina podem apresentar níveis anormalmente baixos de cetonas e acidúria dicarboxílica de cadeia média. Quando bem, o nível de carnitina livre total ainda pode ser elevado, mas todos os outros testes metabólicos serão normais. Testes moleculares e evidência de deficiência enzimática no ensaio da função de CPT-1A (redução de 5-20% da actividade normal de CPT1) no fígado, linfócitos ou fibroblastos cultivados, confirmam o diagnóstico.

Diagnóstico diferencial

O diagnóstico diferencial inclui doenças dos ácidos gordos e da cetogénese como défice de acil-CoA desidrogenase de cadeia média (défice de MCAD, ver este termo), outras patologias da oxidação dos ácidos gordos de cadeia longa, como a deficiência de carnitina palmitoiltransferase (CPT) 2 e síndrome de Reye (ver estes termos).

Diagnóstico pré-natal

O diagnóstico pré-natal é possível através da pesquisa de mutações se as mutações tiverem sido identificadas num probando. A transmissão é autossómica recessiva.

Aconselhamento genético

Aconselhamento genético deve ser proposto aos pais de um indivíduo afectado informando-os sobre a probabilidade de 25% de a descendência vir a herdar as mutações causadoras da doença.

Controlo da doença e tratamento

O tratamento consiste principalmente em evitar o jejum. Medidas adicionais podem ser consideradas, incluindo refeições nocturnas com amido de milho cru durante a infância e/ou uma dieta com baixo teor de gordura suplementada com triglicerídeos de cadeia média que podem ser metabolizados pelas mitocôndrias independentemente do ciclo da carnitina. É necessária vigilância regular das enzimas e função hepática.

Prognóstico

Com o tratamento, o prognóstico é bom e as lesões neurológicas resultantes da hipoglicemia recorrente podem ser prevenidas.

Atualizado em: março 2011 - Editor(es) Prof Michael BENNETT
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